Para que todo e qualquer sonho seja passível de realização,
precisamos primeiro, decidir realizá-los. O anseio em conhecer outro país me
acompanha desde muito jovem, mas nunca saiu do âmbito do
"irrealizável" até então. Após ver o fim da minha graduação
cada vez mais próximo, percebi que era o momento de viver tudo o que posterguei
por medo e tantos outros motivos ao longo desses quatro anos de maioridade.
Quando essa
decisão foi tomada, eu já conhecia diversos tipos de intercâmbio de estudo e
trabalho, bem como as possibilidades de viajar como turista. Acontece que,
quando o programa não era muito caro pra mim, era bastante vazio. O desejo
sempre foi estudar fora, e não somente passar alguns dias fotografando em
pontos turísticos. Pelo menos não agora, onde estou me constituindo como
profissional.
De todas as
possibilidades viáveis, o programa de Au Pair sempre foi o mais coerente pra
mim. O problema era: ele tem como prazo mínimo um ano e como passar tanto tempo
longe de todo mundo que eu amo? Esse ERA o problema. Com o amadurecimento dos últimos
tempos, compreendi que um ano é quase nada em uma vida que apenas começou a ser
vivida e que os benefícios colhidos ao longo do tempo após esse um ano poderiam
ser desfrutados não só por mim, mas também por aqueles que tanto amo e que, a princípio,
me impediam de ir. Com a clareza e convicção de que meu momento de ser Au Pair
havia chegado e, mais que isso, não voltaria caso eu não o aproveitasse agora,
decidi irrefutavelmente que eu iria.
Se por um lado eu
sempre fui muito apegada à minha família, por outro eles também sempre tiveram
o mesmo apego por mim. Eu sabia que se pra que eu finalmente decidisse desatar
as amarras demandou tanto tempo, pra eles não seria diferente. No primeiro
momento, quando você conta para as pessoas sua decisão, eles não te levam muito
a sério.
“Como ela vai
deixar tudo aqui, emprego, família, amigos, estabilidade, pra ser babá?” “Aqui
ela já tem o lugar dela, qual o sentido de abandonar tudo pra viver na casa dos
outros?” “Besteira. Logo ela desiste.”
Mas eu não desisti,
não dessa vez. Pedi passaporte. Entrei no intensivo de inglês. Escolhi a agência.
Pedi apoio e informei meus superiores no
trabalho. Dessa forma, com todo amor que sempre me foi oferecido, minha família
compreendeu, aceitou e abençoou. O sofrimento que vi nos olhos da minha mãe transformou-se
em esperança, alegria até. E desde então, ela tem me dado total apoio e dito
com freqüência, com uma voz trêmula de medo e saudades antecipadas: “Filha, você
tem que ir. É sua chance!”
Quem decide seu
Au Pair deve estar ciente que vai ouvir tantas e inúmeras coisas desagradáveis,
mas que não deve se deixar abater por isso porque o excesso de cuidado, as
vezes, vem de maneira que acaba nos magoando. Mas é só amor e preocupação. Os mais
antigos vão te dizer que você vai ser capturada para prostituição. Os mais
novos vão dizer que você vai encontrar um marido e conseguir um green card, pra
nunca mais voltar. Só algumas poucas pessoas vão entender que você decidiu ir pra
crescer, pra sair da zona de conforto e voar.
Você precisa
saber pra onde vai e porque vai. Não é um “sonho americano”. Não é só viajar,
comprar qualquer coisa. Envolve muito mais responsabilidade do que diversão. Você
vai estar na casa de pessoas que nunca viu, responsável pelo bem mais precioso
que eles possuem: seus filhos. Isso é ser Au Pair (que pretendo abordar com
mais profundidade em outro momento).
Enfim, decisão
tomada, família apoiando, chegou o momento de entrar no processo – demorado,
burocrático, cansativo, infindável. Nesse momento tantas dúvidas surgem que você
nem sabe por onde começar. Foi ai que encontrou refúgio nos demais blogs que
abordam o assunto. O fato de ter aprendido quase tudo com essas pessoas que
dedicam algum tempo de vida compartilhando suas experiências em blogs/vlogs me
motivou a escrever também. Nada mais justo! Cada experiência possui suas
particularidades e quanto mais conhecemos, mais fáceis de transpor os obstáculos
se tornam.
Meu processo
ainda está no início e, portanto, vou poder compartilhar muitas coisas aqui. Espero
que elas sejam, em sua maioria, felizes. Das que não forem assim tão alegres,
que eu aprenda o máximo possível.
Um grande beijo,
Sá.
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