quarta-feira, 16 de julho de 2014

A Decisão!

Postado por Sabrina Fávero às 05:14
          Para que todo e qualquer sonho seja passível de realização, precisamos primeiro, decidir realizá-los. O anseio em conhecer outro país me acompanha desde muito jovem, mas nunca saiu do âmbito do "irrealizável" até então. Após ver o fim da minha graduação cada vez mais próximo, percebi que era o momento de viver tudo o que posterguei por medo e tantos outros motivos ao longo desses quatro anos de maioridade.
            Quando essa decisão foi tomada, eu já conhecia diversos tipos de intercâmbio de estudo e trabalho, bem como as possibilidades de viajar como turista. Acontece que, quando o programa não era muito caro pra mim, era bastante vazio. O desejo sempre foi estudar fora, e não somente passar alguns dias fotografando em pontos turísticos. Pelo menos não agora, onde estou me constituindo como profissional.
            De todas as possibilidades viáveis, o programa de Au Pair sempre foi o mais coerente pra mim. O problema era: ele tem como prazo mínimo um ano e como passar tanto tempo longe de todo mundo que eu amo? Esse ERA o problema. Com o amadurecimento dos últimos tempos, compreendi que um ano é quase nada em uma vida que apenas começou a ser vivida e que os benefícios colhidos ao longo do tempo após esse um ano poderiam ser desfrutados não só por mim, mas também por aqueles que tanto amo e que, a princípio, me impediam de ir. Com a clareza e convicção de que meu momento de ser Au Pair havia chegado e, mais que isso, não voltaria caso eu não o aproveitasse agora, decidi irrefutavelmente que eu iria.
            Se por um lado eu sempre fui muito apegada à minha família, por outro eles também sempre tiveram o mesmo apego por mim. Eu sabia que se pra que eu finalmente decidisse desatar as amarras demandou tanto tempo, pra eles não seria diferente. No primeiro momento, quando você conta para as pessoas sua decisão, eles não te levam muito a sério.
            “Como ela vai deixar tudo aqui, emprego, família, amigos, estabilidade, pra ser babá?” “Aqui ela já tem o lugar dela, qual o sentido de abandonar tudo pra viver na casa dos outros?” “Besteira. Logo ela desiste.”
            Mas eu não desisti, não dessa vez. Pedi passaporte. Entrei no intensivo de inglês. Escolhi a agência.  Pedi apoio e informei meus superiores no trabalho. Dessa forma, com todo amor que sempre me foi oferecido, minha família compreendeu, aceitou e abençoou. O sofrimento que vi nos olhos da minha mãe transformou-se em esperança, alegria até. E desde então, ela tem me dado total apoio e dito com freqüência, com uma voz trêmula de medo e saudades antecipadas: “Filha, você tem que ir. É sua chance!”
            Quem decide seu Au Pair deve estar ciente que vai ouvir tantas e inúmeras coisas desagradáveis, mas que não deve se deixar abater por isso porque o excesso de cuidado, as vezes, vem de maneira que acaba nos magoando. Mas é só amor e preocupação. Os mais antigos vão te dizer que você vai ser capturada para prostituição. Os mais novos vão dizer que você vai encontrar um marido e conseguir um green card, pra nunca mais voltar. Só algumas poucas pessoas vão entender que você decidiu ir pra crescer, pra sair da zona de conforto e voar.
            Você precisa saber pra onde vai e porque vai. Não é um “sonho americano”. Não é só viajar, comprar qualquer coisa. Envolve muito mais responsabilidade do que diversão. Você vai estar na casa de pessoas que nunca viu, responsável pelo bem mais precioso que eles possuem: seus filhos. Isso é ser Au Pair (que pretendo abordar com mais profundidade em outro momento).
            Enfim, decisão tomada, família apoiando, chegou o momento de entrar no processo – demorado, burocrático, cansativo, infindável. Nesse momento tantas dúvidas surgem que você nem sabe por onde começar. Foi ai que encontrou refúgio nos demais blogs que abordam o assunto. O fato de ter aprendido quase tudo com essas pessoas que dedicam algum tempo de vida compartilhando suas experiências em blogs/vlogs me motivou a escrever também. Nada mais justo! Cada experiência possui suas particularidades e quanto mais conhecemos, mais fáceis de transpor os obstáculos se tornam.
            Meu processo ainda está no início e, portanto, vou poder compartilhar muitas coisas aqui. Espero que elas sejam, em sua maioria, felizes. Das que não forem assim tão alegres, que eu aprenda o máximo possível.

            Um grande beijo,
            Sá.

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